quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu li: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago


Por: Bruna K.
Oi, gente!
Gente, que vergonha dupla. Primeiro, desculpem pela falta de posts, a Sá anda bastante ocupada e acabou coincidindo de acontecer várias coisas pra mim também e me deixar meio sem tempo. A vergonha número dois vem por causa desse problema, a demora para terminar de ler o Ensaio Sobre a Cegueira. Eu sequer consegui ler um livro nacional nesse mês!
Ainda sobre a falta de posts, até essa terça-feira não chegou nada pra mim e eu não tinha terminado de ler nada, logo não fiz nenhum memezinho.
Enfim, espero que quem lê o blog sempre nos desculpe. Eu tento mesmo cumprir meu compromisso com vocês, mas às vezes a vida além-blogger nos chama, né? E chama aaalto...
Maaas, tenho algumas coisas legais que gostaria de compartilhar, vou tentar passar tudo a limpo até domingo, prometo. =D


Falando sobre o livro...
[imagem+ensaio+sobre+a+cegueira.bmp]ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA 
Autora: José Saramago
Editora:  Companhia das Letras
Ano: 1995
Páginas: 310
Esse livro merece:  ★★★★★

Pro post não ficar muito grande, leiam a sinopse aqui no skoob.


O Livro:
O livro é escrito em terceira pessoa, contado por um narrador observador todo poderoso e onipresente, rs. 
Infelizmente demorei mais do que queria para acabar de ler. Queria que fosse uma experiência mais intensa, com a demora acabava suavizando e dando tempo de esquecer.
O que me fez lembrar um dos pontos, não fracos, mas difíceis do livro: se você fechar ele sem ter marcado exatamente onde parou, vai demorar um bom tempo até se encontrar de novo. 
É basicamente assim: a página esquerda é um bloco inteiro de palavras e a direita tem um parágrafo, um espacinho pra respirar. 
Eu geralmente esperava chegar até o outro parágrafo pra parar de ler, mesmo caindo de sono, rs. Ou seja, é um livro que toma tempo. Não dá pra ficar pegando ele enquanto o professor olha pro lado como eu geralmente faço. 
Outra coisa: não espere diálogos comuns com travessões ou no mínimo uma quebra de linha, um parágrafo. As falas de personagens diferentes são separadas por uma simples vírgula e iniciadas com letra maiúscula para diferenciar.
No pacote vem os personagens sem nome e a falta de pontuação nos diálogos. Eu não me lembro de ter visto um ponto de interrogação sequer.  
São mais ou menos assim:
E tu, disse o da pistola, não me hei-de esquecer da tua voz, Nem eu da tua cara, respondeu a mulher do médico.
Outra: por pedido de Saramago, a ortografia portuguesa de Portugal foi mantida. Mas isso não dificulta a leitura, não. 
O único ponto fraco mesmo é a capa da minha edição. Completamente branca, suja demais! Se você morre por ver um risquinho, uma sujeirinha, uma manchinha sequer vai sofrer. Compre a capa nova, do filme. 
Resumindo: Ensaio Sobre a Cegueira toma seu tempo. Não é um livro difícil, mas requer toda a atenção possível.
Mas não se assuste com o livro, são suas diferenças que o tornam ainda mais interessante e único. 


As entrelinhas e as minhas impressões:
Por ser tão famoso e tão importante, confesso que senti um pouco de medo de não entender a essência da coisa toda, de não saber o que eu deveria achar ou como interpretar. Mas, aqui vai a minha interpretação e as reflexões a que o Ensaio me levou.   
É incrível e até surreal que a simples perda de visão cause tanto caos. Afinal de contas, não há tantos cegos e ainda assim o mundo gira? Também achei. O negócio é que há uma grande diferença entre nascer cego ou ficar cego e ter quem te auxilie e ensine a viver sob uma nova perspectiva e ficar cego de uma cegueira branca, sem causa e contagiosa.
Imagine então que logo essa cegueira contagia as pessoas que estiveram com você e quem esteve com as pessoas que estiveram com você e assim sucessivamente. Os governantes logo ficariam cegos, as secretárias logo ficariam cegas, os médicos todos cegos, cientistas cegos, eletricistas cegos, agricultores cegos, empresários cegos, garis cegos, os santos todos de olhos vendados. Uma sociedade civilizada não suportaria por muito tempo. Quem reabasteceria os supermercados? Quem cuidaria da energia?  Quem limparia as ruas? Quem cuidaria dos cegos? Quem pesquisaria uma cura? Não há exemplo melhor para provar como todo trabalho é necessário, rs. 
Assim aconteceu com o primeiro cego. No meio de tudo, apenas a mulher do médico não cega. Sentindo na pele que em terra de cego quem tem um olho é condenado, isso sim. Condenado ou a fingir ser como os outros ou a se tornar escravo de todos. 
Mesmo que os outros cegos não soubessem de sua condição, ela se sente responsável por seu grupo e assim pega toda a carga para si, tendo um cuidado maternal com os primeiros que cegaram. 
Apenas a ela coube a missão de assistir seres humanos cada vez menos humanos. Até onde iria o seu orgulho, sua moral e sua ética perante a necessidade de sobreviver? Até quando você seria humano? Essa pelo menos pra mim foi a maior reflexão que o livro deixou. 
Além de tudo, os cegos de Saramago não têm nome. Na verdade não precisam de nome. Pelos outros são reconhecidos pela voz, por nós, por suas características. 
É um livro que eu recomendo bastante, desde que se esteja disposto a deixar a capa de 'ser civilizado' para parar um pouco e refletir sobre a condição humana. E iclusive sobre você.
Ufa! 
Para ler com tempo, quando der e com toda a atenção do mundo. 

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