quarta-feira, 11 de maio de 2011

[Resenha] Enderby Por Dentro, de Anthony Burgess

Por: Bruna K.

Enderby Por Dentro (Inside Mr. Enderby)

Autor: Anthony Burgess
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1963 


Lançado no Brasil em 1990
Tradução: Paulo Henriques Britto
263 páginas

| Skoob | 


As voltas que os livros dão...
Enderby por Dentro é o primeiro livro de uma série, seguido por Enderby Outside, The Clockwork Testment e Enderby's Dark Lady. Infelizmente aqui no Brasil os outros títulos não foram lançados e Enderby Por Dentro foi lançado apenas pela Cia das Letras há mais de vinte anos. Logo, o livro se tornou raridade, não encontrei novo em lugar nenhum na internet. E esse exemplar, meu namorado conseguiu num sebo: três livros por cinco reais. (Obrigada, amore, e feliz aniversário ^-^)



Enderby e eu:
Enderby por Dentro é um livro extremamente grotesco, com muitas onomatopeias para arrotos e outras escapulidas de seu personagem principal, mas bastante cômico. 

Como Laranja Mecânica é uma obra extremamente marcante -como foi para, além de Burgess, Malcolm McDowell e Kubrick- é impossível deixar de comparar os dois livros e suas personagens. Enderby é particamente o oposto de Alex: um poeta de meia idade, solitário, que passa o dia em casa escrevendo seus poemas no banheiro, de frente para sua banheira cheia de ratos, papeis e restos de comida.  E apesar de seus problemas gastrointestinais é praticamente inofensivo. Não se  importa com o mundo lá fora e gostaria que não se importassem com ele. Por causa da má relação que teve com a madrasta, também não se relaciona bem com mulheres e com a Igreja, por ambas as coisas  o lembrarem dela.  Os dois personagens só têm em comum o fato de, de um jeito ou de outro, estarem ambos às margens da sociedade. Alex, por ser mal, Enderby, por ser completamente isolado do mundo.

Além disso, a forma como o livro foi escrito é completamente diferente de Laranja Mecânica

que é em primeira pessoa, cheio de neologismos e onomatopeias. Enderby é escrito em terceira pessoa e tem um vocabulário riquíssimo, tendo a ver com o personagem da vez, o poeta culto. Ainda assim, me lembrei do livro anterior em trechos como:

" Sem Pecado Original não há civilização, não é? Certo, certo. Como é mesmo o título, hein?" 
Ironicamente, Enderby começa a ser colocado em confusões diversas, sobretudo quando aceita ir a Londres (cidade que ele odeia) receber um prêmio por sua obra. Então o livro fica bem engraçado, com situações absurdas, em que o coitado do Enderby se mete sem querer. Em alguns momentos, juro que o livro poderia ser adaptado pro cinema como uma comédia hollywoodiana, sem querer humilhar. HAHA. 

O livro ainda é cheio das poesias de Enderby, escritas, claro por Burgess.


Trecho:
"Dadas as atuais circunstâncias, creio que seria prudente publicarmos suas contribuições semanais sob pseudônimo. Isto também nos daria a oportunidade de enfeitar a coluna com a foto de algum modelo masculino de cabelos longos e olhos sonhadores voltados para o céu, com uma pena de ganso na mão - o senhor entende: o Poeta: a imagem que toda dona de casa faz do poeta. (...) Atenciosamente, Vesta Bainbridge.


Outras capas:
Minha favorita é a primeira, ainda pelo pseudônimo de Joseph Kell.

3 comentários:

  1. Oi, achei o blog procurando sobre o livro..
    Comecei a ler e estou gostando bastante! (:

    bjs, achei o blog lindo *-*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom, A! Fico feliz, porque esses livros mais antigos tem muita gente que não dá bola, né.

      Beijos e muito obrigada!

      Excluir
  2. Adorei sua resenha pois acresceu inforamação que eu nçao tinha lido, como por exemplo o fato de ser uma série.
    Eu tenho e está na lista do ano que vem haha.
    2 perguntas: você gostou? E fica com desfecho mesmo sendo só o primeiro livro?
    Beijos

    ResponderExcluir

Seu comentário alimenta nosso blog, então aproveitem esse espaço e digam o que estão achando. :)

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...