quarta-feira, 7 de setembro de 2011

{Eu li} Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


Fahrenheit 451 - a temperatura em que o papel do livro pega fogo e queima
Original: Fahrenheit 451
Ray Bradbury

Editora Globo
Ficção Científica, Distopia
215 páginas
Ano 1953 



Num futuro não muito distante de 1953 os bombeiros têm outra função: queimar livros. Aliás, o passado foi queimado e os mais jovens nunca pensaram que os bombeiros podem ter dito outra função.  Ler é um  crime e quem lê deve ser punido vendo sua biblioteca virar cinzas. Leitura, reflexão, lógica só causa desconforto, abre os olhos para a inconveniente realidade, então por que ler? Vamos nos divertir, sair com o carro em alta velocidade, cultuar a tv (a qual chamam de 'família')! Sentiu o clima?


Aí vai uma pequena sinopse (tentei só falar o que vocês precisam pra ler a resenha):
Guy Montag é um dos bombeiros liderados por Beatty e cumpre, aparentemente satisfeito, com seu dever. Isso até o dia em que conhece sua nova vizinha Clarisse McClellan, penso que a personagem mais marcante. Ela é diferente das outras jovens de 17 anos: não vai a escola por ser considerada antissocial, sua família conversa uns com os outros em vez de falar com as grandes telas de tv em tamanho real e ela incita em Montag a curiosidade e o gosto pelas coisas simples da vida. Montag então 'se volta contra o sistema', faz amizade com um antigo 'professor rebelde', Faber e após ser descoberto pelo capitão Beatty perde quase tudo: sua casa queimada, sua esposa, sua credibilidade. Mas ao fugir da polícia, Montag encontra com um grupo de rebeldes sua liberdade.

Em Fahrenheit 451 não existem cadeiras confortáveis ou alpendres, os políticos são eleitos pela beleza e simpatia, as pessoas não conversam, apenas falam sobre coisas da moda e efêmeras, cultuam a tv (a que chamam de 'família'), são entupidos de informações, velocidade e imagens para achar que estão pensando quando na verdade não têm tempo de pensar.
"Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com 'fatos' que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente 'brilhantes' quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão a sensação de movimento sem sair do lugar." 
Beatty, chefe dos bombeiros

Engraçado como parece atual, né?


Agora você deve estar se perguntando: por que diabos os livros foram proibidos? Não foi por censura política, decreto ou lei, mas porque as próprias pessoas deixaram de ler. Tudo começou com as adaptações, que oferecem formas mais rápidas e secas de saber a história; logo as minorias se sentiam ofendidas então dá-lhe a censurar livros. O problema é que o mundo é feito de diferenças, logo todos nós fazemos parte de uma minoria, logo só sobraram os livros de quadrinhos. Além disso, os livros fazem pensar e um cidadão consciente constitui uma ameaça. 
"Os livros servem para lembrar o quanto somos estúpidos e tolos. São o guarda pretoriano de César cochichando enquanto o desfile ruge pela avenida: 'Lembre-se César, tu és mortal'."
Fala do personagem Faber, professor e rebelde


Excelente livro pra incomodar e agitar nossos pensamentos. Para falar tudo sobre ele só num clube do livro ou em mais posts, pra não ficar chato paro por aqui.

Curiosidades:

  •   O Sabujo Mecânico, cão-robô-de-oito-patas do livro foi inspirado no cão dos Baskervilles, do livro homônimo.
  •    Curiosamente Montag e Faber, os principais rebeldes da história têm nomes de uma fábrica de papel e uma fábrica de lápis respectivamente.
  •    Em 1966 o livro ganhou adaptação para o cinema, dirigido por François Truffaut. 
  •    O próprio Bradbury escreveu uma peça com base no livro, mas com alterações.
  •    No ano passado a Cia Teatro Urgente encenou uma peça baseada no livro.



O autor                                                                       

Ray Bradbury nasceu em 1920 e segundo a Wikipedia atualmente vive em Los Angeles. Tem sua literatura baseada na ficção científica, terror e suspense. Odeia livros adaptados, e vive para ver que a alienação que combatia em seu livro está acontecendo. Sem saber, na oitava série li pela primeira vez algo dele (e de sci-fi): A Bruxa de Abril, excelente livro de contos. Apenas Esse ano tive a oportunidade de ler seu masterpiece. Próximo: As Crônicas Marcianas.                                                                                

3 comentários:

  1. Nossa, essa resenha me deu muita vontade de ler esse livro *_________*

    Adorei, adorei, adorei.

    Obrigada por seguir meu outro cantinho

    beijão

    http://twbmwbrazil.blogspot.com/
    http://itsnotbitter.blogspot.com/

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  2. Muito boa a resenha, me interessei1

    Beijos,
    Livros e Coisas menos Incríveis.

    ResponderExcluir
  3. Esse livro já está na minha lista faz um tempo e quero assisti ao filme também. "Ler é um crime e quem lê deve ser punido vendo sua biblioteca virar cinzas." que medo, nem valeria a pena viver nesse mundo haha. Isso até parece livro de terror. E essa edição com as chamas na capa é muito linda, quero essa.

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