sábado, 18 de fevereiro de 2012

{Livro + Filme} O Perfume, A História de um Assassino - Patrick Süskind

O Perfume

TÍTULO ORIGINAL Das Parfum
AUTOR Patrick Süskind
ANO 1985
279 Páginas   

"...as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diant e da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar do aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas."

Quando foi lançado o filme homônimo fiquei muuuito interessada, mas isso faz um bocado de tempo já e eu era bem nova, logo esqueci do título e nem cheguei a assistir na época. Aquela atmosfera do cartaz me dava medo e até então eu nunca tinha assistido um filme assim, HAHA. Ainda bem que esperei.

Em Perfume conhecemos Jean-Baptiste Grenouille, um renegado de nascença cuja natureza lhe deu um olfato apuradíssimo. Ele podia distinguir cheiros que nós nem imaginamos e que por isso mesmo, são impossíveis de transferir em palavras, sem distinção entre bom e ruim, ele podia combinar cheiros em sua mente e transformá-los em novos odores e até recriar o odor humano. Em compensação, a Mãe Natureza (única mãe que tinha), negou-lhe um odor próprio. Tomando emprestadas palavras do autor, Grenouille desde pequeno era um carrapato que apenas se protegia e esperava um momento oportuno, negando-se a simplesmente deixar-se morrer. Como resolvi falar de livro e filme juntos, vou falando da história aos pouquinhos.

 Enquanto o livro explora a vida do protagonista até a exaustão (deviam ser duas partes: I- O perfume e II-A história de um assassino, isso sim) o filme foca os assassinatos desde o início, criando um mistério em torno de Grenouille, sem seguir ordem cronológica certinha. No livro não, tudo começa com o nascimento de Grenouille e segue a ordem de sua idade.

Em ambos, ainda muito jovem, mas sabendo de sua genialidade, Grenouille se aventura no mundo dos perfumes e aprende tudo o que podia no ramo com o famoso perfumista Baldini. No entanto, no livro ele entra antes de começarem os assassinatos e ainda nem tinha descoberto que tinha cheiro nenhum. Já no filme ele comete um assassinato e fica tão louco pelo cheiro da vítima, daí tem porque tem que guardar aquele cheiro, só aí entra na perfumaria. 

Além dos fatos, o psicológico de Grenouille também muda bastante do livro para o filme. No livro é um rapaz ingênuo, rejeitado, que entra na perfumaria para estar mais perto de seu dom. E quando descobre o perfume se acha Deus, todos lhe cairiam aos pés!  No filme, é malicioso, entra na perfumaria para aprender logo a retirar o cheiro de suas ninfetas, isso além de ser mais misterioso, quase não conhecemos o que Grenouille pensa. Esses foram os fatores que, eu acho, mais divergiram entre um e outro.

Agora me voltando mais para a leitura de O Perfume, devo admitir: quando já estava chegando no final eu comecei a pensar "Putz, vai acabar assim? Que preguiça que esse autor tem, hein?", mas é nas páginas finais, quando você pensa que tudo está acabado (e chato) que acontece uma reviravolta do caramba, mesmo! Por isso, livro e autor ganharam minha admiração, caso essa tenha sido a intenção (não ganhar minha admiração, a reviravolta). Mas o livro teria ficado muito mais rico se o autor explorasse mais os assassinatos (como fez o filme) sem deixar a vida anterior de Grenouille, que é interessantíssima!, de lado. 

Só pela reviravolta quando você pensa que já acabou, o livro já vale muito a pena! Quanto ao filme, foi esperto o bastante para não exigir paciência de quem tá assistindo.


PATRICK SÜSKIND
Nascido em Amsbach, na Baviera, Alemanha, no dia 26 de março de 1949,o filho do escritor e jornalista W. E. Süskid, Patrick Süskind, estudou História Moderna e Medieval na Universidade de Munique e, em Aix-em-Provence, na França.                                                       Muito pouco se sabe sobre a vida de Süskind, que é considerado uma das pessoas mais retraídas do cenário literário alemão. Süskind evita até mesmo noites de autógrafos e não é muito simpático à ideia de transformar seus livros em filme. Ou seja, Grenouille foi um tanto inspirado nele mesmo.

5 comentários:

  1. Li ótimas criticas a respeito deste livro, estou ancioso para ler

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  2. Bruninha, que resenha maravilhosa!
    Assisti a este filme faz muito tempo, e nem lembrava dele, e nem sabia que era um filme inspirado em um livro!
    Confesso que na época eu fiquei meio amedrontada com o filme, mas hoje, alguns (muitos) anos depois, senti até vontade de rever depois da sua resenha.
    Parabéns.
    Bjs.

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    1. Realmente! haha
      Eu fiquei meio enjoada até quando li o livro e até tive uma sensação parecida com a sua lendo Sereia pensei: "é só? acabou assim?", aí é que dá uma reviravolta tremenda! Mas ainda bem que eu não vi quando estreou, ia ter pesadelos, haha.

      Beijos e obrigada!

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  3. Bruna, curiosa sua resenha e me animei de comentar porque esse filme é uma das poucas adaptações literárias que gosto já que no geral acho os livros melhores. Enfim, me chamou a atenção você "sugerir" que o LIVRO seguisse o caminho do FILME! Caso seu desejo se realizasse, o livro seria apenas mais sobre serial killer (ou seria imenso já que você também sugeriu que se preservasse a história de Grenouille). LI este livro em 1996 (tenho até hoje esse exemplar). Na ocasião eu tinha 25 anos e achei o máximo. Depois, reli por ocasião do filme e achei...interessante. Talvez por isso eu tenha gostado da adaptação e aqui concordo com você: a opção em focar os assassinatos funcionou bem no cinema, mas discordo que ficaria melhor no livro. Mas aplaudi de pé a coragem do diretor e dos produtores em preservar a cena da orgia e o final, pois jurava que os puritanos-hollywoodianos-de-plantão iriam proibir. Desculpe o comentário quilométrico e obrigado pela paciência em ler!

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    1. Que desculpar o quê, Alex! Táloco, durante a minha vida blogueira inteira quis comentários assim! hauhauha

      Eu não veria problemas caso o livro fosse maior e as coisas fossem mais devagar com os assassinatos, mas ficou legal do jeito que é pelo impacto da reviravolta.
      Também achei muito digno terem preservado essas cenas! Jurava que iriam mudar o final, mas conseguiram fazer ficar até muito elegante (?).

      E quem agradece sou eu pela paciência de ler o post e o debate! Como disse, leitores críticos é o que eu almejo para o blog ^-^
      Volte sempre!!

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