quinta-feira, 2 de agosto de 2012

{Eu li} Gênesis - Bernard Beckett


Título: Gênesis | Autor: Bernard Beckett | Arte: Retina 78 | Tradução: Braulio Tavares | Editora: Intrínseca | Ano: 2009 | Idioma: Português | 176 páginas  |                   Classificação 123
Há muito tinha vontade de ler este livro por causa de sua capa maravilhosa (Retina 78, responsável pela arte, sempre nos fazendo julgar pela capa) e meu noivo adivinhou meu pensamento e me propiciou a oportunidade da leitura.

Pois bem, o livro promete uma distopia, filosofia, reflexões e a ousada chamada: o que realmente significa ser humano? Mas essa capa nem tem muito a ver com a história... e a reflexão sobre o ser humano é vaga, mais valia estar escrito: quais os limites da inteligência artificial? Enfim, capa com cara de young adult vende, né? É o mesmo que aconteceu com A Menina que não Sabia Ler.

A estrutura do livro é formada em cima de um teste da jovem Anaximandra para entrar na Academia, como o governo desse "admirável" mundo novo é chamado. Parecido com um vestibular, e mais ainda com um trabalho de conclusão de curso, o teste tem duração de quatro horas (mas vira e mexe a mocinha diz que são cinco... fiquei sem saber direito) e a banca faz perguntas sobre a personagem histórica que a candidata escolheu. Essa personagem é Adam Forde, um soldado que descumpriu uma ordem e por isso mudou o curso da História.



A história é desenvolvida, então, a partir desse teste é estruturado em forma de diálogo, como em peças de teatro, aludindo ao Método Socrático. Os momentos que se passam fora do teste são apenas os intervalos ou transcrições de diálogos da vida de Forde.

Ah, sim, mencionei Admirável Mundo Novo ali em algum lugar, não é mesmo? Bem, entre essas distopias novas é quase impossível não haver referências ao livro de Aldous Huxley. Li poucas dessa safra, é certo, mas as referências são tão gritantes (ao livro de Huxley e também ao de Orwell, 1984) que é impossível não ver. Será que esses autores pensam que fazendo  uma ligação "implícita" em seus livros estarão automaticamente transformando-os em obras inteligentes? Já creio que seja mais um recurso de venda do que admiração pela obra clássica, mesmo.

Essa capa sim diz algo sobre o livro.
Mas enfim, o grande problema de Gênesis é de dois, um: a) ou Bernard Beckett escreveu um livro curto demais para tantas alusões ou b) o autor quis lotar seu livro de referências para deixá-lo inteligente e se perdeu na história. Vamos lá, citarei alguns exemplos dessas alusões: Adam e Eve + Gênesis, Forde, Aristóteles e A República de Platão, a primeira lei da robótica de Asimov, a alegoria do Quarto Chinês, sociedade em castas (que também acontece no livro de Huxley) alguns conceitos de biologia e filosofia e o mais legal: pra lá de 2030 os androides têm aparência de orangotangos. Isso aí, tipo, um grau inferior e um superior ao homem. E mais: os orangotangos são quase tão inteligentes quanto o homem. Uau, é quase um gênio, hein, Bernard! Tá, essa última deu alguma originalidade, mas na prática, na hora da leitura, tem um resado tosco.

Além das menções meio desconexas, o livro é bastante confuso. Nada ficou muito claro e a reflexão sobre o que é ser humano é extremamente superficial, como disse, a coisa é mais sobre AI. Só fui descobrir que a Academia era uma forma de governo e não uma espécie de universidade lá pelo final. No fim das contas, não sei direito o que pensar da história, da sociedade do livro, nada de nada.

Sintetizando, Gênesis é um livro de leitura fácil e rápida, mas prepotente e superficial.  Li algumas resenhas dizendo que este é um livro super inteligente e tal, estou até achando estranho ver resenhas tão positivas e eu ter achado tão superficial. Mas fica a dica: não se deixe julgar pela capa e o questionamento, a história de Gênesis deixou muito a desejar.

3 comentários:

  1. Também vejo, vira e mexe, resenhas positivas de livros que, pelo menos pra mim, não tem 'pé nem cabeça'e acho que está cada vez mais comum essa coisa de livros que viram febre entre blogueiros por causa da capa e não da história em si. Mas confesso que sua resenha me deixou com vontade de fazer essa leitura e comprovar se esse é mesmo um desses casos.

    http://beingjournalists.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, haha. Não sei porque insisto em ler esse tipo de livro! Acho que é teimosia, muito mais que curiosidade. Foi assim com Destino e Jogos Vorazes também. Acho que se essa galerinha lesse a tríade distópica veria que distopia devia ser algo mais profundo e não uma sci-fi que vai dar muito lucro.
      E é esse mesmo o termo: sem pé nem cabeça, hauha.

      Beijos e obrigada!

      Excluir
  2. Oi adorei... muito obrigado...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços.

    ResponderExcluir

Seu comentário alimenta nosso blog, então aproveitem esse espaço e digam o que estão achando. :)

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...