quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

{Eu li} As Intermitências da morte - José Saramago

Título: As Intermitências da morte 
Autor: José Saramago
N.º de páginas: 208
Editora: Companhia das Letras



Além do Maine, há ainda outro lugar que deus me livre de viver: é esse tal país sem nome que o Saramago inventou! Li apenas alguns livros do autor, mas este é o terceiro que leio dele (os outros foram Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez) que trata de um problema incrível que assola a sociedade desse abençoado país. Aliás, esse livro foi uma boa escolha para começar o ano, visto que 21 de dezembro passou e o mundo só acabou para quem tinha mesmo que morrer.

Falando nisso, já pensou no que aconteceria se ninguém mais morresse em determinado país? Claro que é absurdo, mas neste livro temos uma boa ideia: as religiões entrariam em colapso, o sistema de seguros precisaria se reinventar; pessoas em todo o tipo de estado (até as gravemente feridas) entrariam em estado vegetativo e precisariam de cuidados especiais, assim, os hospitais e asilos ficariam completamente lotados e, como a morte só deixou de acontecer naquele país, passando a fronteira morria-se, desse modo logo apareceu quem fizesse o trabalho sujo por dinheiro.


E claro que esse negócio de mandar os parentes para a morte causou um sério baque na moral do país. Isso levou o governo a procurar saídas paliativas como campanhas publicitárias dramáticas e trazer de volta um velho (e igualmente dramático) conto popular sobre a solidariedade e doação, lembrando sempre, e daí vem o tom dramático, que não se sabe quando poderá ser você a precisar de cuidados.


Pois então, nesse país sem nome, dessa vez, foi a morte que resolveu deixar de matar. Aliás, de onde o Sara tirava essas ideias? Quer dizer, nem são tanto as ideias que me surpreendem, mas como ele conseguia levá-las a diante, mostrando consequências que nem todo mundo pensaria e fazer algo realmente bom com isso. Claro que não é só isso que me fez adorar esse livro, bem como os outros cinco que li dele. Sou grande fã da escrita do Saramago (mesmo  com suas peculiaridades), não sei se porque o português de Portugal é mais bonito ou se é mérito exclusivo do autor. Sem falar que ele sabia enriquecer seus livros com a grande carga cultural que tinha. E outra: era excelente argumentador. Todos esses pontos ficam bastante presentes neste livro.


Mas, para deixar vocês mais curiosos sobre a obra, vamos ao enredo. Para ficar mais fácil, poderíamos dividir o livro em duas partes. Na primeira, a causa não-mortis (ta, foi ruim o trocadilho) pela qual a morte abandonou aquele país momentaneamente ainda é desconhecida, aqui são as consequências dessa interrupção que são mostradas. 
A borboleta caveira também teria sido
boa ideia para avisar os condenados.

A segunda parte se inicia com uma carta enviada pela morte em ossos e lençóis para contar à população o motivo de sua ausência e avisar que agora tudo voltaria ao normal, que seria morrer quem deveria morrer. Porém agora notificaria por meio de uma carta em envelope especial de que a partir da data do recebimento o condenado deveria curtir seus últimos oito dias. A partir daí coisas ainda mais inacreditáveis acontecem até o final surpreendente. A vida tem mesmo dessas coisas, os livros do Saramago então...

Voltando à minha pergunta no início do post, sobre de onde Saramago tirava tais ideias, já vi quem diga que essa em especial foi tomada emprestada do autor brasileiro Orígenes Lessa, que muito antes de 2005 escreveu A Desintegração da Morte que trata do mesmo tema. Infelizmente ainda não consegui ler o livro de Orígenes, mas se As Intermitências foi mesmo surgido a partir deste nacional, quero agradecer ao Lessa. E é claro, que ao contrário de alguns fenômenos literários que são apenas mais do mesmo com o único intuito de vender, só ganhamos culturalmente com essas duas obras da língua portuguesa.


10 comentários:

  1. O "As Intermitências da morte " e incrível parabens pela escrita do texto.

    Lindo o blog seguindo ja se possivel me faz uma visita la no meu blog
    Beijos um feliz 2013

    http://www.fragmentos-intensos.com/

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    1. Ê, obrigada! :D
      Feliz 2013 tbm, podexá que passo lá ;)

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  2. Só li um livro do Saramago até hoje e foi Ensaio sobre a Cegueira e foi muito bom. E quero ler todos dele, mas o que mata é o preço. Todos são muito caros, mas as sinopses chamam muito a atenção e essa não foi diferente. E me lembrou o filme o chamado, só que nele e apessoa é avisada por telefone e tem sete dias apenas hehe. Muito legal!

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    1. Aah, o Ensaio foi o primeiro que li dele e fiquei apaixonada. Depois dele li uns quatro ou cinco livros do Saramago, tão bons que todos foram resenhados aqui, haha (bem, exceto O Conto da Ilha Desconhecida). Os livros são caros mesmo, eu geralmente leio por e-book. :/
      Lembra O Chamado mesmo! haha Mas ainda acho a atitude da Morte mais simpática, huahua.

      Beijos e obrigada! :D

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  3. Oláa! Eu vivo em amor e ódio com Saramago, adorei ensaio sobre a cegueira, mas detestei Memorial do convento... Sua resenha está ótima, vou ver se leio esse livro ;)

    Suuuper beijo!
    seguindo o seu blog ^^
    http://estoulendoo.blogspot.com.br/

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    1. E eu num amor só... auhuahua Ainda não li Memorial do Convento, mas lembro que quando não conhecia direito o autor tinha meio preconceito com esse título e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por não ser mto religiosa. Bem, acabei gostando mto do Evangelho e de Caim (que também estão resenhados aqui).
      Talvez você goste das Intermitências, é um livro surpreendente!

      Beijo e obrigada! ^-^

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  4. lindo tudo aki ! beijos me segui la..

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  5. O texto As Intermitências da morte, de José Saramago, é um dos melhores que li. Sou suspeito para falar que o texto é bom, excelente, ótimo, bem escrito, que nos leva a um passeio por reflexões filosóficas, sociológicas, políticas e etc e tal. Sou saramaguiano (se é que o termo existe). Devorei praticamente toda a obra dele. Com certeza, um dos maiores escritores de todos os tempos.

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    1. Gostei do termo e também sou saramaguiana, haha. Comecei a caminhar pelos universos de Saramago há uma ano e meio mais ou menos e de lá pra cá li umas seis obras. Foi o autor que mais li em um curto espaço de tempo, haha.

      Obrigada e volte sempre :)

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